A astúcia de Ulisses


Mudando o território: as meditações continuam

Estou mudando para www.astuciadeulisses.com.br, para uma nova fase com relação à visualização dos artigos e maior interatividade. Os textos já postados continuam publicados neste site. Conto com vocês para novas leituras sobre o futebol e suas astúcias.

Grato pela convivência,

Antonio Rezende



Escrito por antonio rezende às 12h35
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




Muita chuva, muita garra e o futebol sem grandes jogadas

Mano assume a seleção, depois da despedida dos corintianos. Saiu com uma vitória sobre o Guarani. Não lhe falta ânimo. Promete reorganizar as estruturas, convocar dentro do espírito de renovação e desejar que Ricardo Teixeira cumpra sua missão de dirigente comprometido. É uma avalanche de expectativas.

Seu trabalho é árduo, com de um trapezista num circo sem rede. Mas nada de energias negativas, de ficar torcendo contra. Apesar de não termos grande jogadores, não devemos morrer na esteira da decepção. Os pessimistas procurem tomar um banho de sal grosso e/ou de mar, logo ao amanhecer do dia. Despertam bons sentimentos, tiram as traves dos olhos, soltam a fantasia..

O Santa Cruz parece que se balançou para avançar com a classificação. Suas dificuldades não desapareceram, sobretudo na finalização. Faltam gols. A bola não está amiga. O importante é assegurar a garra e ser determinado. Fugir da apatia e cultivar a autoestima.

O Santa se engrandece, com a força de uma torcida apaixonada, e a experiência de Givanildo. Ganhar a próxima é o caminho certo para não firmar a vontade de abandonar de vez a série C. O Santa merece outras moradias, redirecionar seu time para outras disputas e ter sucesso. Assim seja...

Ontem, muitos jogos e muita chuva. Botafogo e Fluminense empataram, numa disputa tumultuada. Todos de olho na equipe de Muricy, depois que ele não quis o cargo na seleção. O tricolor das laranjeiras se arruma para ser campeão, porém não conseguiu disparar. Há tempo.

O Flamengo perdeu para o Internacional que só pensa na Libertadores. Na quarta, entra, em campo, para enfrentar o São Paulo. O tricolor paulista está sendo acompanhado por alguma profecia de bruxo. Não sacode a poeira e perde seguidamente. Ricardo Gomes conta nos dedos a chance de garantir seu emprego. Caiu na desgraça da diretoria.

O futebol tem o gosto da instabilidade. É jogo, atravessado por interesses diversos. O caso do São Paulo mostra bem com as coisas se dão. Um elenco montado com esmero, sem render o esperado. Lutar para vencer a Libertadores e se livrar dos azares, é a redenção. Até Rogério Ceni fez declarações lamentando a fase da sua equipe.

Os times de Minas não estão acertando, na série A, como pensavam. O Atlético tem investido, porém não assimila a proclamada sabedoria de Luxemburgo. Talvez, sejam as vacilações do início. Era bom que os talentos não se acanhassem. O espetáculo precisa, sempre, de grandes artistas.

Por aqui, o Náutico está eufórico e já vislumbra a sua volta, para dimensão maior do futebol brasileiro com sua campanha. É um entusiasmo que tem suas justificativas, pois o time não se cansa de reverter resultados e fortalecer sua confiança. O Sport sente-se, ainda, sem o equilíbrio tão sonhado. A sua torcida não se manifesta com muito otimismo, mas seu técnico conserva sua segurança e acredita na reviravolta.

Num ritmo acelerado, o futebol prossegue sua rota de muitos acontecimentos e polêmicas. Sem uma equipe que encante, mas com os jogadores buscando seus espaços com muita luta. Realmente, o trabalho de Mano, na seleção, pode alertar para certas falhas e apontar alternativas. Precisamos de recuperar ânimos debilitados e de sacudir fora tantos escândalos e invejas.



Escrito por antonio rezende às 08h58
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




A vastidão do domingo: as muitas cores do mundo e das pessoas

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O domingo chega, com seus ares de sempre. O tempo da chuva não tira o charme do domingo. Cada um curte seu dia-a-dia, como achar melhor. Não faltam opções. A sociedade não se acanha. Há espaços diversos e prefências múltiplas. Assim se vai construindo a convivência. Violência, alegria, inquietação, inveja, tudo isso alimenta o cotidiano. As notícias divertem, ofendem, assustam, falam da vida de todos nas suas particularidades.

No futebol, a escolha do técnico da seleção foi definida.Mano aceitou e passará a concretizar suas ações. É um sonho que poderá transformá-lo no salvador da pátria e que requer árduo trabalho. Mas importante é o equilíbrio, saber ouvir as lamúrias e procurar ser coerente nas suas práticas. Ele possui experiências e fica a curiosidade sobre a sua primeira convocação.

Espero que Teixeira cumpra suas promessas. Muita pressão termina por derrubar os técnicos. Portanto, paciência não faz mal. Os momentos nem sempre ajudam. O cargo assumido provoca polêmicas. Muitos gostariam de exercê-lo e não perdem oportunidade de firmar suas disputas. Mano precisará de apoios do grande chefe.

Enquanto isso, a bola rola, com jogos pelas séries dos campeonatos nacionais. A semana, que passou, já trouxe resultados surpreendentes e existem clubes insatisfeitos com  os desempenhos de suas equipes. O São Paulo não passa por um bom momento, como também o Santos e o Atlético de Minas. Surgem possibilidades de mudanças e o mercado se agita oferecendo soluções.

Ontem, o Sport caiu. Foi derrotado pelo Coritiba e jogou muito mal. Seu primeiro tempo mereceu repúdio de seus torcedores. Magrão, mais uma vez, segurou o barco. Torna-se a figura mais estável do time, onde muitos se mostram incapazes de fazer o mínimo. A apatia de alguns incomodava.

Desse jeito, rubronegros sentem a ameaça  da queda final. Mas há tempo para se renovar . São detalhes preciosos que podem ser analisados com um olhar cuidadoso de Toninho. O ataque, em especial, não consegue deslanchar. No futebol, não faltam alternativas, desde que haja compromisso profissional e talento.

O Náutico não relaxou. Teve sorte e coragem para enfrentar os baianos e se estabelecer na ponta da tabela. A série B é muito nivelada e exige luta dos times para assegurar os resultados. Não há craques que desmontem esquemas, porém chutões que assombram o público. Não se espantem com o desmantelo.

O Santa Cruz não pode vacilar. É um caminho sinuoso. Perder é acabar com o ânimo, já bem pequeno. Quem sabe se os conhecimentos de Givanildo libertem o tricolor de tantos desenganos. Não é possível que o time não acorde e se fortaleça, pois está, em jogo, a carreira de todos. O Santa busca a recuperação.

Se o dia se inicia com especulações, a noite é a hora de verificar o que aconteceu e estimular bons papos. O futebol socializa comportamentos, traz a diversidade para o centro do cotidiano. Não há razão para não festejá-lo e entrar, nas suas polêmicas, no ritmo que o mundo ensina. Mundo é vasto, mas nosso sentimento também, são versos do mestre Drummond, nunca esquecidos.



Escrito por antonio rezende às 09h02
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




As ansiedades do futebol: escolhas e surrealismos

Ontem, a agitação foi grande. Difícil era saber quem estava companheiro da verdade. As notícias passeavam e blogs escreviam as novidades, fazendo análises sobre as opções da CBF. Enganos, críticas, exaltações, tudo fazia parte das turbulências gerais.

Ricardo Teixeira era comandante do espetáculo. Muita celebração, muita demonstração de poder e o país fervia em busca das soluções sugeridas. O assunto tem público. Atrai expectativas e as polêmicas não cessam. Não é tema para unanimidade.

No primeiro foco, Muricy aparece com destaque especial. Tudo indicava que seria o preferido. Tem experiência e vem fazendo bela campanha na direção do Fluminense. O poderoso da CBF o anunciou em entrevista solene. Era a glória, mas havia alguns desencontros não percebidos.

Os blogs não deixaram de colocar seus comentários. Salvo por uns, condenado por outros, o possível novo técnico tinha a imprensa sempre atenta aos seus passos. Lembranças tomavam conta das conversas. Títulos conquistados, influências de Telê, relação instável com os jornalistas e assim as coisas eram passadas a limpo.

Uma parte do dia foi consumida com as especulações sobre Muricy e suas andanças pelo mundo do futebol. Qual o plano seguido? Quem serão os convocados? Haverá boa relação com os jornalistas? E o Fluminense aceitará a saída repentina do seu líder?

Não faltam perguntas, nem motivos para provocarem dúvidas. Havia um perfume de incerteza no ar. A relação de Teixeira com o presidente do Flu não é amistosa. Conflitos são mencionados que podem quebrar o sonho do técnico escolhido. Outro detalhe: Muricy se mostrou um pouco vacilante. Não engoliu as promessas da CBF. Tensões garantiam instabilidades na escolha.

Finalmente, a novela assumiu outra trama. Muda o astro principal. O Fluminense não quer ceder seu técnico, resiste  ao poder do órgão  máximo do futebol. Tudo se desmorona. Muricy mantém vínculo com seu clube e se afastou da seleção. Quem apostou que estava tudo definido perdeu tempo e palavras.

O nome de Mano, o Corintiano, voltou ao cenário. Ele que estava frustrado, com a escolha do outro, recebia o convite da CBF. Também fazia parte das simpatias de Ricardo Teixeira. A decisão foi adiada para hoje, com uma entrevista para esclarecer as dúvidas. Mano queria foco, brilho, para se curar da decepção inicial.

O cargo, em jogo, é sempre alvo de sensações nacionais. O Brasil cultiva o futebol com muito carinho. Esquece a política, as desigualdades, mas se liga nas aventuras do seu esporte predileto. Não dá para negar. É um traço de perenidade.

Finalmente, aconteceu a cena tão fantasiada. Mano Menezes resolveu ser o técnico da seleção, não se incomodando com os outros lances da novela. Tudo parece voltar ao ritmo de antes. Torcer para que ocorra,sem mais atropelos, a renovação tão discutida.

Nada melhor do que fugir dos muitos espantos e descontroles administrativos do futebol brasileiro. O fantasma de Salvador Dali que o diga. Ou melhor, a arte de Dali que nos aproxime com seu belo surrealismo, dos tantos mistérios que cercam os momentos agudos da convivência social.



Escrito por antonio rezende às 12h24
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




Muitos jogos e ausências de craques: saudades ou desencontros dos tempos?

                                                

O futebol continua sendo atuante, no cotidiano da população. Jogos, quase todos os dias, tomam conta das televisões. Campeonatos que  mostram clubes de lugares diferentes, mas não há muita novidade com relação ao espetáculo.

Estamos vivendo uma baixa. Faltam craques. As artes, de antes, não têm espaços nas estratégias de hoje. As partidas são marcadas por uma monotonia sem igual. Não há elaboração, sobra a mesmice e o desapego pelo bom passe. Os chutões são componentes indispensáveis de atletas sem brilho.

Infelizmente, quem assistiu Pelé, Ademir da Guia, Zico, Garrincha , Tostão, Didi, Rivelino e tantos outros, não pode deixar de lamentar e cair na nostalgia. Fico sem saber o que houve mesmo com o futebol, além do culto aos resultados e aos brucutus no meio-campo.

É claro que a história não enaltece, apenas, permanências. As mudanças são constantes e redefinem os desejos. Muitas invenções, comportamentos, valores surgem numa velocidade impressionante. Não devemos querer interromper a vontade de descobrir.

É preciso, porém, estar alerta para essa avalanche de novidades. O descartável assume importância incomensurável, quando dele, quase nada, aprendemos. O novo é, muita vezes, um disfarce do velho. Engana. Transforma o futuro num feitiço de tecnologias deslumbrantes.

Os jornais necessitam de rodar notícias. Então, criam ídolos, justificam salários monumentais e enfeitam o bolo da noiva com ornamentos de cores opacas. Há programas especializados, em esporte, que abusam de detalhes, porém não entram nas questões de forma a contribuir para decifrá-las. Existem os mais críticos que mostram as contradições, mas são poucos.

Ficamos com perdas incríveis, fazendo do passado um espelho e das lembranças uma trilha de fuga. As polêmicas são acesas por nada. Cenas de violência ganham destaque. O time do Goiás se envolveu numa confusão enorme. E lá estava Leão, conhecido por suas irritações. É lamentável.O caso de Bruno causa sensação e audiência.

O futebol se abastece de escândalos, de dúvidas, de poderes quase vitalícios e não se renova na sua política. Os jogadores, mais famosas, se abastecem com fortunas e a motivação para o trabalho termina se debilitando, em troca de outros prazeres do mundo do consumo.

Com carreiras curtas, aparecem como cometas, depois somem e esquecem sua maestria prometida. Não sabem onde está o eixo da vida. Exigem-se deles análises que desmoronam suas emoções. Leiam as últimas declarações de Adriano, o Imperador.

O futebol não está desarticulado  da sociedade. Todos conhecem suas tramas, porém se negam a levar a discussão, para pensar de que maneira a competição e o culto à grana importunam o bom jogo. Valoriza-se o movimento das notícias, sem qualquer sentido, só para se ter o que falar.

A CBF cria expectativas e não enraíza o projeto para salvar a seleção dos seus desvarios. O assunto é a Copa de 2014, e seus gastos fabulosos que assustam os mais prudentes. O futebol caiu na rede dos negócios e  se empobreceu no campo dos malabarismos e da formação dos craques.

O que o socorre são as transmissões, pela televisão, que rendem dividendos maiores e certo conforto para as finanças dos clubes. Elas garantem um público, inerte nas suas moradias, buscando um divertimento barato.É uma outra atmosfera, para quem se deleitava com os jogos nos estádios.

E nós querendo fugir da mediocridade, sem voz para fazer ecoar os nossos protestos. Há um cansaço  que  desfia a beleza do espetáculo e sua continuidade. Chega de tantos esconderijos. A bola rola, mas precisa de quem tenha carinho por ela. Chega de maltratá-la, para o bem do futebol.

 

 



Escrito por antonio rezende às 11h58
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




O Santa Cruz quer fugir do abismo e dançar a vida sem traumas

O Santa Cruz visita a beira do abismo. Parece não querer sair de lá. Não consegue deslanchar, mesmo com a presença da torcida numerosa e vibrante. O azar ronda o time, de maneira persistente, deixando todos cabisbaixos.

Houve um passado por detrás desses fracassos. O Santa sofreu com gestões desconcertantes. Não se zelava pela transparência. Os negócios eram feitos e o clube, sempre, convivendo com o prejuízo. Surgiram esperanças, com a atual presidência, porém as coisas estão na obscuridade.

No campeonato pernambucano, uma atuação quase medíocre. Ressurgiu, naqueles jogos contra o Botafogo, certo otimismo. Fogo de palha. Dado Cavalcanti parecia  ressuscitar a força de tempos nunca olvidados da década 1970. O time não prosseguiu correspondendo e sucumbiram as energias promissoras.

Mudanças são feitas. Muita fofoca, mas Givanildo está como técnico. Não havia como Dado se manter, com todos seus méritos e disposição. As interpretações, para sua saída, são diversas. As dúvidas éticas se destacam. Isso acompanha o futebol por muitos motivos graves.

No entanto, uma ressalva deve ser lembrada. As declarações de Giva quando resolveu entrar nessa confusão. Afirmou a grandeza do Santa e sua admiração pela história do clube. E reforçou que não aceitaria outro convite de time da série D. Destacou seu envolvimento com o Santa e sua história, daí sua opção.

Vamos sair dessa fase terrível. O tricolor é muito querido, é patrimônio de todos que gostam de futebol. Seus adeptos fazem parte, na maioria, da população que sacrifica tudo para se mobilizar pelo clube.

Sair da beira do abismo é preciso. Reunir forças, desejos e coragem. Não é possível que o Santa siga essa sequência tão atropelada de desmantelos. Há azares, mas quem comanda o clube não pode vacilar, nem brincar com a expectativa da torcida. A paixão alimenta a alegria, não pode ser desprezada.

Infelizmente, a profissionalização não ganhou o espaço necessário para dar mais dinamismo ao futebol. As carências são muitas. Esquecem de detalhes ou fazem do clube um instrumento para crescer na política.

O Santa Cruz teve times memoráveis. Chegou ao pentacampeonato. Revelou craques. Encheu estádios. Trouxe títulos para Pernambuco. É cruel conviver com tanta desaventura e olhar o passado de conquistas. O Mundão do Arruda já recebeu público com mais de 60 mil pessoas.

A reviravolta é o caminho. Atravessar esse deserto de forma digna e fazer a cobra coral fumar seu cachimbo sem sufoco. Não é, apenas, uma proclamação de alguém que se sente ligado às glórias do tricolor. O jogo é motivo de festa para muita gente. É uma das danças da vida. Vale que seja feito com arte.

O Santa animado provoca rivalidades nas outras torcidas.Isso recupera o futebol que sofre ameaças de decadência nas regiões mais pobres. Sem disputas e gozações, a coisa perde a graça. É claro que a violência pode ser dispensada, sem saudades.

 



Escrito por antonio rezende às 12h10
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




A vida passa, a lembrança fica, a bola rola: as polêmicas permanentes

                                                  

O sucesso é um dos motes da sociedade capitalista. Mesmo quando fazemos um estudo da memória estão registradas, sempre, as figuras de destaque, presentes nas páginas dos jornais e nas imagens de TV. Há os que procuram não perder oportunidade. Forçam a barra para serem falados e se mostrarem capazes na gestão do seu êxito.

Isso é comum nas mais diversas relações sociais. Não é, apenas, restrito às estrelas do cinema ou da política. No futebol, as notícias são muitas e os astros também. Muitos jogadores e técnicos possuem assessoria para garantir a permanência do estrelismo.

Equilibram-se como podem. No entanto, nem tudo é para sempre. Alguns conseguem seguir adiante, sem muitas instabilidades. Focam-se, nas suas atividades, e investem com seriedade na profissão. O sinal vermelho não aparece. Tudo fica verde e o sucesso não é atropelado.

Mas há outras histórias que servem de exemplo e intrigam as opinões. O caso de Luxemburgo, o técnico,  é interessante. Não duvidamos da sua competência. Ganhou títulos, reformulou times, mas fracassou na seleção e foi acusado de certas manobras que gerou controvérsias.

Mostra-se vaidoso e deve ter seu patrimônio material garantido. No últimos meses, não tem obtido o êxito esperado. As derrotas estão na sua agenda, mesmo que resista com suas entrevistas cheias de bons argumentos. Aquele sonho de dirigir o escrete nacional se distancia. A serenidade termina se esvaindo.

Essas reviravoltas acontecem e nos acenam para as dificuldades do mundo contemporâneo. Ronaldo, o Kantiano, passa por um momento não muito claro. Goza de um contrato milionário com o timão de São Paulo e desfila em várias propagandas com desenvoltura. Faz tempo que não joga uma partida. Estabelece-se como um negociante.

É uma escolha, não podemos condená-lo. A questão é que ele criou muita expectativa e agitou a torcida. Cogitou em ir para a Copa de 2010 e depois o silêncio e a ausência das partidas de futebol. Há mistério que inquieta seus adeptos mais apaixonados.

É importante ressaltar esses aspectos, porque há esperanças de pessoas envolvidas nessas aventuras. Emoções tomam conta de torcidas que felicitam seus ídolos como celebram divindades. Eles ficam ligados na grana e não dão uma resposta que mereça ser ouvida. Muitas vezes, se irritam com as cobranças, mas procuram não sair da mídia. São figuras públicas.

Outros também são sujeitos aos incômodos da instabilidade. O caso de Ronaldinho é um dos mais citados. É preciso se analisar o que passa pela cabeça desses jogadores e tratá-los como humanos e não como mitos. Eles terminam num mar de dinheiro, sem, contudo,satisfazer o desejo de tantos que os admiram.

No futebol não é uma regra esses tipos de comportamento. Ele tem, porém, uma frequência. Sua penetração na sociedade é grande e provoca turbulências. Não basta, apenas, que a bola role e que o espetáculo seja brilhante. Tudo circula e influencia na formação dos grupos sociais.

Quem está no futebol e pinta cheio de sucesso possui espaço privilegiado. Seria bom que pensasse no exemplo que passa para milhões de pessoas. A vida não é uniforme e o sucesso não é um bloco de concreto armado. O mundo globalizado não cessa inventar ideias e armadilhas.

As coisas ficam, muitas vezes, fora do lugar, causando fracassos.Nem todos estão cercados pelo sucesso. No futebol, há os que lutam e vivem na precariedade. Devemos ficar atentos também aos que passam pela negação e pensar na estrutura do esporte de uma maneira geral.

PS: Desculpem, porém mais uma vez a internet nos deixou na mão. A vida continua.

 



Escrito por antonio rezende às 07h38
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




A perplexidade de Deus e seu sonho: o domingo não é dia de descanso?

 

É célebre a tradição do descanso dominical. Está na Bíblia. Não existe, contudo, mais esse costume. Os domingos são agitados. O comércio faz promoções, organizam-se festividades extras, as praias ficam cheias e os bares são invadidos por bons conversadores. Quando o sol se fixa e queima, então a mobilização é grande.

O futebol tem a sua parte. Não há negar. Domingo sem futebol possui uma tristeza particular. Deixa muita gente inquieta. Parece que o dia perdeu o sentido e segunda já está chegando. Nem mesmo as compras, um passeio ao  shopping, conseguem fazer esquecer o movimento da bola.

Meu domingo foi um pouco caótico. Logo cedo, houve um acidente na minha rua. Um carro, desgovernado, bateu no poste. Consequência primeira: a falta de energia por um período. Não  teve vítimas, para sorte geral. Depois, veio outro impasse. Tento acionar a internet e não encontro respostas.

No entanto, vamos seguir adiante. As notícias são as mais variadas e as suspresas também. Para começar, o São Paulo mais uma vez caiu. Perdeu para o Vitória, por causa de um gol. Continua a expectativa. O time comete erros primários. Seu ataque não acerta e sua defesa vacila.

Pior foi o Santa Cruz, sendo vencido, no Arruda, por 1X0. A frustração foi imensa. Como o  São Paulo, gols são perdidos, hesitações na defesa e a aquela apatia. É preciso ter, muito cuidado, para que o fracasso anterior não se repita. O Santa não pode naufragar de vez.

Os corintianos estão eufóricos na ponta tabela. A vítima foi Atlético de Minas, a equipe do famoso Luxemburgo. As coisas estão complicadas. Sacudiram um azar para o técnico que não acha mais o caminho do sucesso. Negócio de arrepiar, para quem é vaidoso e sabidão.

Felipão perdeu na sua estréia oficial. Foi chato, pois antes o alviverde havia derrotado o Santos. Agora, foi derrotado pelo Avaí que está despontando e aprontando no reinício das atividades. É isso. O jogo nunca é linear, e seu resultado perturba os profetas.

O Flamengo manteve sua sequência de vitórias. Mais uma vibração, depois do afastamento do goleiro Bruno. Não merecia muito, porém segurou a barra e quer  limpar-se do passado. Está aparecendo bem, enquanto o Santos foi derrotado pelo Fluminense, mesmo com a volta de Robinho.

O domingo trouxe novidades e alterou a classificação do campeonato nacional. O Ceará sucumbiu diante do Internacional e lá se foi sua invencibilidade. Será que houve uma queda do time do Ceará passageira ou ele está mergulhando em águas turvas? Vamos aguardar e desejar que tudo se arrume.

Assim, o descanso não acontece. E eu que prossegui tendo mil problemas com a minha internet, também no final do domingo? Daí, o blog sair, com atraso, pela primeira vez. Foram dois dias de espera.Fiquei dependendo das prestadoras de serviço, com o texto pronto e sem opções. Morri na promessa do atendimento rápido.É o mundo virtual, até na ansiedade.

A tradição está rompida pelos negócios do capitalismo no mais amplo sentido. Poucos se escondem e se deleitam nas camas, desligados do que sucede lá fora. As televisões tomam conta da convivência do lar e os tempos mudaram.

Deus faria o mundo de outra maneira. Deve olhar tudo com uma perplexidade transcendental. As luzes de Brasília devem fazê-lo desistir da argila. Quem sabe  contemple as astúcias de JK, o modernizador dos anos 1950, repensando a Criação? Luzes, concreto armado, linhas sinuosas e a cidade do futuro? Qual seria o sonho de Deus diante de tantos sinais que ele não inventou?



Escrito por antonio rezende às 15h48
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




O futebol: memórias inesquecíveis, lugares permanentes

                                   

O futebol possui um espaço admirável na cultura contemporânea. No Brasil, ele exerce um fascínio constante. Há derrotas, mas as retomadas não param. Surgem outros fatos, as polêmicas assumem as páginas de jornais e as torcidas gritam suas palavras de ordem.

Há muitas controvérsias sobre a invenção do futebol. Ele existe, faz um bom tempo. No Brasil, ganhou fôlego no século passado. As elites assistiam às partidas de futebol numa elegência sem igual. Depois, se tornou um esporte das multidões.

Muitas paixão, uniformes de cores diferentes, hinos diversos e muita festa nas tardes de domingo. O futebol ensina muita coisa. Provoca amizades, reúne grupos e constrói um enorme mercado de trabalho. Os especialistas se formam para constituir gigantescas comissões técnicas.

As televisões investem, em tecnologia, para garantir a beleza das imagens. A concorrência não cessa, com patrocínios que envolvem negócios a longo prazo. A disputa pelos cargos revela a sua face política. Ser dirigente é estar na crista do poder, sobretudo se se tratar de um clube de ponta.

Toda essa movimentação tem sua escuta social. Mobiliza. Cria comportamentos, muitas vezes, violentos. Não faltam rivalidades, mas também gozações e brincadeiras cotidianas que alimentam a afetividade.

Os mais velhos viveram momentos distintos e se recordam deles com saudades. Alguns ficam marcados. Há diferenças na forma de agir dos jogadores,com o aprofundamento da chamada profissionalização. Não estamos mais, na época, da fundação do Maracanã.Em 2014, teremos uma Copa que exigirá esforço e invenção, gastos nunca sonhados no passado. 

Não queremos, com isso, produzir hierarquias. A história é diálogo, compreensão de que pessoas buscam, às vezes sem perceber, outros mundos, outras concepções de vida. Fica difícil apontar onde se localiza a felicidade, mas não podemos esquecer que a procuramos, para curtir melhor as relações que construímos.

Visualizando as mudanças que ocorreram, registramos gestos, emoções, partidas, atitudes. Elas representam uma memória que acompanha o futebol e nos abrem caminhos, para estabelecer sua presença e as suas singularidades.

Tenho as minhas lembranças gravadas que me embalam com nostalgias. Algumas distantes, de quando era menino, de quando a fotografia monopolizava a fixação dos lances mais comentados. Uma delas se fez preciosa quando assistia ao jogo Brasil e Holanda, aquele que perdemos por descontrole emocional.

Lembrei-me de Didi na Copa de 1958, trazendo a bola para o centro do gramado. Foi buscá-la no fundo do nosso gol. Era o jogo decisivo da Copa. Começamos perdendo e sua atitude foi fundamental para transformar os rumos da partida.

Didi animava seus companheiros e firmava liderança, com altivez e estima elevadas. Nossa vitória foi arrasadora. O futebol celebrava um encontro com a alegria que apagava aquela melancolia de 1950. Não foi uma festa só nossa. Ganharam a arte e a astúcia. Elas faltaram em 2010.



Escrito por antonio rezende às 15h52
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




Os talentos de brilho instável: o sucesso em questão

                                       

O Palmeiras venceu o Santos. Nada de assustador, pois há esforços do alviverde para retomar a trilha da tradição campeã. Felipão começa seu trabalho, sem querer muito alarde e pode trazer boas energias. Comenta-se o ressurgir de um time que estava tão desacreditado.

O mais intrigante é a queda do Santos. O início das novas estrelas do Santos foi fulminante. Parecia que voltava aquele jogo cheio de firulas, com muito malabarismo. Uma bela dança que fascinava e divertia. Houve uma satisfação geral, mesmo daqueles que não são santistas.

A convocação para Copa de 2010 acendeu divergências. Existiam muitas opiniões favoráveis às entradas de Neymar e Ganso na lista de Dunga. Mas não houve saída. Permaneceu o mesmo grupo que acabou com o sonho de ser hexa. Era o discurso da coerência.

Não se poder afirmar, com certeza, que os meninos da Vila mudariam o futebol da seleção. Fizeram falta. Brasil viajou com uma carência de craques e um excesso de jogadores burocratizados. No final, ficou a frustração e o desentendimento entre a imprensa e a comissão técnica.

A vitória da Espanha foi um aviso. Despertou inquietações, pois os inconformados foram adiante nas suas críticas. Foi uma Copa sem grande brilho. A seleção canarinha poderia ter feito outra campanha, se não fossem as teimosias registradas na competição e os abusos do técnico.

Passada a convocação, a ressaca dos meninos da Vila foi notável. Não só eles, o time perdeu sua estabilidade e aquele encanto desmoronou. Neymar não conseguia mais  fazer magias. A leveza sumiu. O ânimo murchou.

O Santos não era o espetáculo esperado. Foi um abalo e, ao mesmo tempo, uma justificativa para os argumentos de Dunga. Lembrem-se que, no Mundial, havia jogadores jovens que brilharam mais do que os consagrados. O time da Alemanha investiu na renovação e saiu-se bem. E os nossos não poderiam tomar conta das partidas?

Esperamos que a ressaca não tenha se prolongado. As fofocas se desenham, acusando Robinho de ter influenciado no comportamento do time. Não se conhece o que, efetivamente, aconteceu. Os desencontros de informação não permitem divulgar penitências e responsabilidades.

Há erros já foram bastante ressaltados. É preciso transformar, ninguém discute o esse desejo da maioria As mudanças devem ser acionadas com rapidez. Os meninos promissores merecem cuidados afetivos e não, apenas, o tilintar das moedas. Os exemplos de carreiras desmontadas por falta de formação não são poucos. Ronaldinho, o Risonho, aparecia como o novo Pelé.

Hoje, vive amarguras, julgamentos mesquinhos e nem consegue se expressar. Empolgou-se com o sucesso e caminhou para o abismo. Agora, busca se recuperar. Os times possuem suas culpas por esses equívocos, pois são gananciosos e pensam na venda das mercadorias. Onde estão as pessoas, seus sentimentos?

Vamos torcer para que o Santos se destaque na  revelação de talentos. Vamos torcer para que a mentalidade capitalista não seja tão cruel. Vamos torcer para que a grana não perturbe e deixe os meninos se firmarem.

 A sabedoria é companheira da alegria. O exercício da vaidade desfaz sonhos e encobre dificuldades. No mundo complexo da globalização, recomendam-se sensatez e paciência. Há uma corrida, sem rumo, para o fundo do precipício.É fundamental evitá-la.

 



Escrito por antonio rezende às 15h38
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




Há sempre construções no meio do espetáculo

                                               

O tempo não quer sossego. Nunca quis. Sempre houve reclamações de que tudo passa rápido. Gastar minutos sem seguir adiante é sinal de fracasso. Outros afirmam que a pressa é inimiga da perfeição. É a sociedade das muitas opiniões e virtualidades desencontradas. O capitalismo agita um vulcão.

O futebol é um dos espetáculos que faz a sociedade se inquietar. Então, pouco silêncio e muito barulho, para fazer esquecer os infortúnios da Copa. Já se foi a época de se curtir fossas homéricas. E bom ter os pés bem calçados para aguentar o chão quente das avenidas, desprezar as frustrações passadas.

Terça e quarta viveram disputas interessantes reanimando os campeonatos nacionais. Depois de muitos treinamentos, as equipes retornam aos campos, com a presença de um público restrito, cansado de tantas imagens, pensando que viveu um sonho. São desenganos que se misturam com os desejos de dar conta de tudo, de prolongar as fantasias.

O Ceará levou,porém, um bom público para comemorar sua situação na tabela. Está numa fase de eurofia. Enfrentou o timão, sem Ronaldo, o Kantiano, e segurou o empate. Torço para que essa trilha não seja interrompida e gostei da atuação de alguns jogadores. Resta saber se há fôlego para completar bem o campeonato.

Novamente, o São Paulo perde de forma inesperada. Nada contra o Avaí, mas algo estranho incomoda um elenco tão estrelado. As explicações não conseguem convencer. Alguma magia ou um olhar atravessado de Ricardo Teixeira? Se não superar o Internacional, na Libertadores, a complicação se radicalizará.

Felipão declara seu amor eterno ao Palmeiras e foge da CBF. As desconfianças não pedem descanso. As desculpas aparecem sem deixar vestígios. Vamos ver quem será o protagonista escolhido para renovar a seleção. A Espanha tornou-se, agora, o modelo. Quem diria que o Brasil se curvasse diante da arte ibérica? Não somos mais o lugar privilegiado do futebol?

O problema é a próxima Copa. Fica difícil acreditar que ela será em nossas terras. As divergências explodem e se acirram nos planos dos grupos interessados. Há muita construção para ser executada. Imagimem a nossa arena em São Lourenço ! Imaginem o que se fará nela depois do Mundial!

As dúvidas persistem, não sem razão. Fabricam-se entusiasmos políticos, elogiam-se iniciativas particulares, porém um planejamento que convença ainda não circula com clareza. As pressões da Fifa são assustadoras, e a preocupação dos investidores já ocupa as páginas dos jornais.

Estamos descalços para atravessar essa longa e árida avenida? Se tudo acontecer, dentro da melhor previsão, teremos um festa monumental. Não dá para inutilizar as polêmicas, nem apagar as críticas. No entanto, é possível serenar as energias negativas. Não abandonar as luzes.

Não esqueçam que, para muitos, era impossível construir Brasília, como também se recordem dos desacertos físicos e éticos que por lá passam. De um jeito ou de outro, 2014 nos aguarda. O espetáculo acontecerá e poderá nos surpreender. Quem viver verá...

                                  



Escrito por antonio rezende às 19h19
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




O charme e a beleza seduzem, a mágoa e o desprezo perturbam

                                                                   

O Brasil volta a movimentar-se com seus campeonatos. É intensa a agitação e não faltam notícias. Ontem, Náutico e Sport seguiram sua caminhada. Duas vitórias importantes que mostram a vontade de ficar bem na tabela. Por sua vez, o Santa se encontra em dificuldades financeiras. Situação perigosa para quem deseja não cair, de novo, no abismo.

A agitação é grande. Kléber voltou ao Palmeiras e promete ser o goleador da galera. Zico abriu o verbo em favor de um Flamengo digno. Fez muito bem. Chega de comportamentos dúbios, justificados de forma cínica e admitidos por alguns. É preciso não confundir as coisas, para não derrubar a popularidade do clube e o respeito aos seus torcedores.

Continua a indefinição da CBF. Quem será o técnico da seleção? Não se tem certeza de nada e os candidatos aparecem contando vantagens. Joel Santana, Muricy, Leonardo já estimularam as especulações e não economizarm nos elogios as suas aventuras futebolísticas. Felipão é o mais cotado.

Quem está magoado é Jorginho. Demonstra não entender o desastre da África do Sul. Tudo está complicado na sua cabeça. Havia uma vaidade e uma certeza que cativavam os  membros da equipe verde-amarela. Foram traídos pelo destino, com dizem os mais velhos. A perplexidade os domina e silencia a maioria.

Felipe Melo é outro que se defende nos jonais. É chato ficar no campo da culpa. Não se deve perder de vista que muitos se envolveram na campanha da Copa. Portanto, não adianta voltar às mesmas lamúrias, mas firmar novas condutas e lutar por outras condições de trabalho.

O caso Bruno dá muitas controvérsias. Há certas conclusões, porém surgem fatos e desmentidos que provocam suspenses e dramas. Trata-se de algo que incomoda e inquieta quem acredita que a vida pode ser vivida sem violência. A crueldade foi a tônica das ações dos envolvidos, segundo depoimentos.

Mas nem tudo é perturbação, nem desconsolo. Ainda repercutem os bons sons da Copa de 2010. A musa Larissa esteve, no Brasil, e abriu mais espaços para o sucesso. Muito charme, palavras medidas e promessas fizeram parte da sua trajetória. Larissa não perde tempo. Garante seu lugar no mercado.

Tudo é negócio na sociedade capitalista. Cada um arruma um jeito de se aproveitar do momento. Vender produtos, seduzem a cabeça e o corpo. Ela sabe bem como processar sua aventura. Não difere de tantos outros que não negam seu poder de fogo. Muitos milhões circulam nas propagandas oportunistas.

As comemorações se realizaram com alegria sem igual. No Espanha, a festa foi valiosa e aproveitada para unir diferenças culturais. Muita gente na rua e os jogadores entusiasmados com o feito inédito. Na Holanda e no Uruguai, os resultados também mereceram celebrações contagiantes.

Dessa vez, ficamos na saudade. O desafio é organizar para 2014. As exigências são muitas e as polêmicas se ocupam do assunto. Há críticas e desconfianças. No entanto, os dados estão lançados. Não há como escrever a história com outro desfecho.

Torcer pelo pior é falta de solidariedade. Quem sabe se as lições não ajudam a compor novas práticas e desfazer tantos sufocos que nos cercam? Não há destinos traçados e a energia negativa danifica a saúde.



Escrito por antonio rezende às 08h39
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




A aldeia global: encontros, ressacas e animação

O fim de um grande evento provoca dias de ressaca. Tudo é feito com muita intensidade. Os meios de comunicação garantem a festa, com um trabalho gigantesco. A mobilização é internacional. Existem encontros nas informações, no jeito de elaborar as notícias, com também nas surpresas que cativam a população.

O Polvo Paul foi a sensação. Superou a atuação de muitas estrelas programadas. Ele brilhou. Seu poder de profeta tornou-se insuperável. Não perdeu. Ganhou todas, com muita eficiência e indiferença.

Com certeza, não entrou na euforia. Fazia sua escolha, curtia sua refeição e que os jogadores trabalhassem para assegurar os resultados... Paul está nos jornais, nos vídeos e quer aposentadoria. Chega de ser badalado. Cansa e traz inquietação.

A celebração da Espanha merece atenção. País dividido, por uma diversidade cultural e política, não se acanhou. Procurou esquecer o passado e deixou a alegria se expandir. As disputas foram apagadas, para que o momento de exaltação das cores unificadas da Espanha fosse o centro da conquista.

Mas interessante é o fracasso de astros, antes considerados pela imprensa. Cristiano Ronaldo, Kaká, Robinho, Messi, entre outros, não jogaram o prometido. Outros trouxeram bom futebol e técnica: Fórlan, Müller, Xavi, Iniesta, juntos, já mostram que tudo não é sempre um cofre de certezas.

Melhor ainda foi a queda da concepção famosa da tática de resultados. O futebol é espetáculo, não importa valorizar, excessivamente, outros detalhes. A Holanda foi criticada, por haver sido violenta na final. Isso é positivo. O esporte tem sua pedagogia, não é apenas uma luta corporal.

O mundo se estreita quando vive esses grandes eventos. Aparecem paisagens desconhecidas, costumes estranhos, para alguns, são exibidos e prazeres e ritmos se entrelaçam. A globalização não é uma fantasia perfeita, mas tem seu charme.

Há miséria em regiões extensas,  muita falta de respeito ao humano e éticas empobrecidas. A contemporaneidade é complexa e repleta de alternativas. Não vamos reafirmar os dualismos. O importante é a síntese, o diálogo, a quebra dos preconceitos.

A Copa foi uma festa do futebol, mas não se esgota nos confrontos entre as seleções. Ela também entra nas práticas culturais, chama atenção para as injustiças e acena com esperanças.

Viver os acontecimentos, com um olhar crítico, é criar condições para vencer a mesquinhez e a ambição. A aldeia global necessita cair fora desse pragmatismo restrito ao ir-e-vir de mercadorias. Respirar ares sem o assédio da grana.

 



Escrito por antonio rezende às 10h01
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




Equilíbrio e ânimo: a festa continua e o futebol se congratula

                                                               

A Espanha venceu. Foi um jogo de muita emoção. Parecia não se decidir nunca. A Espanha é preciosa nos passes, toca a bola exaustivamente. Sua vitória foi merecida. A Holanda ficou sem graça, afastada do título. O que mais surprendeu não foi o resultado, e sim a quantidade de cartões dada, para diminuir a violência.

Valeu a vitória de um futebol com mais arte, sem aquela monotonia travada. Torcer para que o bom exemplo se espalhe. Aquele culto ao pragmatismo deve sofrer abalos. Que falem Dunga e o sinuoso Parreira! Negam a beleza com uma cara de pau enorme. A Espanha não é deslumbrante, mas merece atenção e elogio.

Encerra-se mais uma competição, com sucesso maior do que o esperado. A África do Sul cumpriu sua missão, superou as expectativas das mentes colonizadoras. Agora, vem 2014. O Brasil assume o bastão. É uma aventura grandiosa. Não faltarão invejas, denúncias, perfeccionismos, invenções arquitetônicas, planejamentos urbanos ousados. Muita polêmica para esquentar os discursos e os corações.

A seleção brasileira deverá ser reformulada. Lá se foram muitas ideias fracassadas. Novos astros, muita badalação, não se ausentarão da atmosfera do futebol. A Copa pode trazer um fluir de bons encontros para o Brasil e ajudar em algumas mudanças sociais. Fiscalizar é sempre saudável, para não exagerar na dose. 

Há uma dimensão política inegável em toda essa agitação. O desafio gera, às vezes, o descontrole e a retomada de vaidades inconciláveis. Fazem parte dos negócios que regem a sociedade do consumo. Não se apaga o individualismo com ações rápidas. Há toda uma mentalidade que cultiva aparecer e curtir a extensão das vitrines.

Mas valeu a maior festa do futebol do ano 2010. Não houve revoluções na forma de jogar, porém a tecnologia foi exuberante. Uma multiplicidade de cores que mexia com a vontade de entrar na tela e se transferir para as arenas. Aproximação de culturas diversas, canções, comportamentos, para alguns, com exotismos.

De tudo fica um pouco, com afirma o poeta Drummond. Resta aprender as lições, não desprezá-las e seguir adiante. A aldeia global precisa de seus rituais e celebrações. A multidão não quer quietude. Nada  mais estimulante do que viver o ânimo de energias fortes e equilibradas.



Escrito por antonio rezende às 12h09
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




A sensibilidade e a arte moram no coração das cores

Ontem, a Uruguai fez mais uma partida de muita garra. O percurso da sua seleção foi marcante. Surpresa geral, mas dignidade que vale ser ressaltada. Sua derrota para Alemanha não tirou o brilho das suas atuações e da sua vontade de mostrar coerência esportiva.

Tudo vivido com emoção, sem precisar de tensões desnecessárias e comportamentos autoritários. Fórlan encantou a todos, merece elogios. A vaidade desmesurada não foi a grife do Uruguai. Isso é muito bom. O verde-amarelo se perdeu nos caminhos das arrogâncias e das propagandas sem fim.

A Alemanha ficou com o terceiro lugar. Lutou para ir para a final, mas não deu. Armou um time jovem, com valores que estarão na próxima edição da Copa. Formou uma base sólida, com um futebol rápido e objetivo. Promete. Que se cuidem seus adversários!

A grande disputa ficou com confronto Holanda e Espanha. Não houve injustiças. Seguiram caminhos de quem persegue a vitória, com seriedade e sem deixar as chances se esfumaçarem. Uma final que deve trazer bons momentos e salvar a partida das monotonias que tivemos na primeira fase.

A Espanha nunca ganhou um Mundial. Vivia de esperanças, sempre frustradas. Sua estrutura de jogo se construiu com os atletas do Barcelona como maioria. É um começo inteligente. Traz um entrosamento que vem dando certo e encantado muita gente.

Ainda há medos de que tudo se despedace na final. Mas parece que os espanhóis estão com outra determinação. Trocando passes, com suavidade, fazem seus resultados. Não se precipitam. Não se incomodam com a quantidade de gols. Foi essa sua trajetória até a última disputa.

As questões políticas marcam a Espanha. Não esqueçam da rivalidade entre Barcelona e Real Madrid. O Real era o time de Franco, o ditador que  governou durante muitos anos, simpatizante do nazismo e com apoio de grupos da Igreja Católica.

A cidade de Barcelona é um lugar de rebeldia. Tentou derrubar o franquismo, com seus militantes anarquistas e seus intelectuais mais críticos. A obra de Picasso significa, entre outras coisas, um protesto contra os desmandos autoritários. Histórias que não se contam, mas revelam como os habitantes da cidade recebem as vitórias da seleção e mesmo o noticiário da imprensa local.

A Holanda também possui suas aventuras futebolísticas famosas. Não é inesperada a sua participação na conquista da taça. Teve uma equipe espetacular na década de 1970, no entanto fracassou nas finais. Foi derrotada pela Argentina e Alemanha. As armadilhas do lúdico não adormecem.

Os holandeses não estão fora da política. Não há ausentes da política. A neutralidade é uma farsa, compõe o discurso dos espertos. A Holanda é uma nação respeitada pelas suas práticas sociais e busca viver de projetos democráticos. Mas já foi colonizadora e não dispensou sua força militar para subjugar povos.

A África do Sul foi um deles, cenário de muita opressão, escrita na memória, com dor e registros, eticamente, tenebrosos. A disputa, agora, é outra, como os significados do momento histórico atual. Louve-se a luta dos africanos e festeje-se o andar de relações humanamente saudáveis. Ainda bem que transformações existem para apagar descontroles e ambições. E curta-se a beleza sublime do quarto de Van Gogh.

No encontro estético entre Espanha e Holanda, todos somos vitoriosos. Na decisão da Copa de 2010, até o Polvo Paul arriscou seu prognóstico. Que o futebol seja contemplado com a melhor arte de seus craques e dos malabarismos! Assim seja, para a felicidade das cores e da sensibilidade.



Escrito por antonio rezende às 11h03
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]


[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]


 



Meu perfil
BRASIL, Nordeste, RECIFE, CASA FORTE, Homem, de 56 a 65 anos, Portuguese, Spanish, Música, Livros
Histórico
Outros sites
  UOL - O melhor conteúdo
  Folha de São Paulo
  Blog do Torcedor
  Blog do Juca
  Blog do Cosme Rímoli
  Cinema e futebol
  Literatura e futebol
  De primeira...
  Blog do fotógrafo Albari Rosa
Votação
  Dê uma nota para meu blog